sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

de Repente, o Leão.


O Leão

Nem me lembro de existir
Antes de vir meu presente
Ganhei um leão para cuidar
E como eu fiquei contente!

Quem me deu não sei quem foi
Mas só pode ser do bem
Pode ser alguém como eu
Pode ser um ser do além...

Junto ao bicho, ainda pequeno,
Uma carta e as instruções
Nela regras a seguir:
Justas ordenações.

Pois espero que eu nunca
Desaponte o presenteador
Não cuidando bem do bicho
Que ele deu com tanto amor

Tudo bem que a criação
Do leão custa um bocado
Conto mil os sacrifícios
Pra deixá-lo bem cuidado.

Noutras vezes o leão,
Sem culpa de seu instinto
Me fere e me ameaça
O que me assusta, não vos minto.

Por essas dificuldades
Já pensei em me livrar do leão.
Mas me lembro então da carta
E quão injusta uma objeção.

Confesso que pode ser medo
Prefiro dizer precaução
Pois não sei como o presenteador
Reagiria à minha opção.

E vos digo sem rodeios
Não duvidem disto não:
Posso ter pouco pra mim
Mas pro leão não falta não.

Pois eu acho um absurdo.
Ganhar de graça um presente
Reclamar do bicho, o custo
E tornar-se um descontente.

Está tão bom o nosso papo
Mas não posso mais ficar
Já aceitei ter pouco tempo
Pra pensar em "bem-estar"
Do contrário não tenho como
O leão alimentar.
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(originalmente em: http://fotolog.terra.com.br/dgf:25)

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