sábado, 10 de julho de 2010

Carpe Diem

(Nota do Manfri, 2010: afora algumas correções que fiz - do 32,9% que eu consegui perceber - eu tiraria mais alguns itálicos, outros termos e certos modos, se fosse escrever este texto hoje. Mas para registro, segue o escrito em sua essência original)

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Carpe Diem

(Não leiam: será jogar minutos da vida no lixo...)

Se há uma certeza que sempre tive é de que, pensando bem, a vida não é algo bom.

Sei que vai soar estranho, pessimista, e, nesse assunto, nem desejo opiniões iguais à minha, principalmente vindo de meus amigos. Mas pra mim, é só parar pra pensar em tudo o que nos custa a vida (pra mantê-la, logo ela, que alguns dizem ser um "presente"); pensar em todas as coisas ruins que podem acontecer e acontecem a nós e a nossos amigos (parentes ou não); e, principalmente, não analisar apenas levando em conta como é a NOSSA vida, mas perceber como ela é para as outras pessoas, em todo o mundo. A incerteza da vida, com todos esses pesares que acontecem todos os dias, sempre me deu essa convicção, negando qualquer possibilidade também de que, sendo a vida "um teste" ou uma "missão", essas provações passassem a ser justas. Pra mim nada justifica o que acontece todos os dias, nem a possível "paz eterna" como recompensa só depois...

Mas seria esse um motivo pra desistir da vida?
Não... Não só porque "pra não nascer já é tarde e pra morrer é muito cedo", mas pq a certeza de que o amanhã é incerto e que nossa finitude (pelo menos nesse vale) é algo irreversível, acho q devemos aproveitar ao máximo cada momento e tentar torná-lo especial.

Parece mais um daqueles textos bobos (e é, talvez...) mas ele é totalmente dirigido às pessoas especiais que tenho na vida: minha família, minha namorada, meus amigos... Que são os que me fazem continuar esquecendo da vida como ela é de tempos em tempos e me enchendo cada vez mais com coragem para enfrentar as coisas como elas são.

Pensar q a cada dia que passa estamos mais perto da morte pode parecer ver as coisas do pior ângulo possível. Mas, pra mim, essa certeza do fim e a incerteza de como será nosso amanhã são um grande incentivo:

A sermos felizes hoje!
A tentarmos ser felizes hoje!
A nunca deixar se levar por orgulho, ou coisas pequenas, pq será jogar no lixo mais um pouco do pouco tempo que nos resta.

Com tanta coisa ruim que acontece nunca vão me convencer de que o mundo (já que viver é estar nele) é bom.
Mas enquanto eu tiver vocês, meus amigos, e enquanto a gente tentar ser feliz a cada minuto, estará valendo a pena o risco.
Não joguem seus minutos de vida no lixo!

(agora foda-se, já escrevi o que queria :P)

Amo vocês.
Sejam felizes sempre!
Carpe Diem.
(Lembrem-se sempre: o amanhã não há!)

"Sempre em frente, não temos tempo a perder"
"E o que disserem, meus verdadeiros amigos, sempre esperaram por mim...
... Os nossos dias serão para sempre..."


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(publicado originalmente em:
http://fotolog.terra.com.br/dgf:10
2006)

sexta-feira, 19 de março de 2010

"Trilogia" dos Suricates


I


Ele não quer sair de casa. Diz que "os outros" estão por toda parte: quatro patas, um coração, mas dois olhos que provavelmente só foram criados pra lhe olhar com censura e reprovação.

Ah, se ele pudesse ficar sempre na sua toca. Sua cama, suas coisas. Não sentiria falta do sol nem do luar, acreditem.

Mas querem mais dele: hoje irá cuidar dos outros enquanto dormem. Podem vir predadores, o que não é em nada absurdo! É a lei da selva, não é?

Mas ah, se ele pudesse, ficava ali, esperando o tempo passar, em seu porto seguro. Sua toca, seu lugar, longe do que é normal.

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II


(...e os barcos até ficam mais seguros parados nos portos, mas não foram feitos pra isso...)

"Sou suricate. Alguns me chamam de suricata, outros de suricato, mas é só não me chamar de Timão que por mim tá tudo bem."

E o suricate desafia seus instintos (se são dele só podem ser naturais) e vai em frente. Tem vontade de olhar pra trás. Persiste. Não se sente à vontade mas se sente melhor.

É desses que vivem na sombra.

"Vai, Suricate! ser gauche na vida."

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III


A montanha russa teve aprimorados seus loopings, suas subidas e seus mergulhos.

Vamos de novo!
(Apesar de nunca ser o último recomeço...)

Liberdade!
("Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir...")

Laralaralá!
(A toca o aguarda)


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(originalmente em http://fotolog.terra.com.br/dgf:26)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Bicho-Homem

Bicho-Homem procura;
olha;
quer.

Bicho-Homem aprende;
ensina;
confunde.

Bicho-Homem se ocupa;
ocupa;
se culpa.

Bicho-Homem aceita;
esquece
(ou tenta).

Bicho-Homem copula;
procria;
defeca.

Bicho-Homem ama;
odeia;
faz versos.

Bicho-Homem domina;
se exibe;
se ilude.

Bicho-Homem pensa que não é bicho.

Bicho-Homem nasce;
Bicho-Homem morre;
Bicho-Homem se putrefaz.

Bicho-Homem tem pressa e publica qualquer coisa.


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(publicado originalmente em: http://estavaeu.blogspot.com/2009/12/bicho-homem.html)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

6ª série

Riam-lhe do nariz grande, das orelhas de abano, da falta de jeito com as meninas... Ainda riem, mas com um corte na cara cada um.

No quarto

Ela, 1,90m; ele, 1,65m. Ela, bem-humorada; ele, brochando ao recusar uma “escadinha”.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Água

É assim:
Outrora morna e límpida;
Hoje fervente.
Já deverias ter te acostumado com como as coisas são.

Pois te encontrarei: não adianta fugires.
Qualquer que seja o teu refúgio, quaisquer que sejam os obstáculos e quão elaborada for a fortaleza que construíres, nada te livrarás. Pois contornarei com leveza cada mínima fresta estreita que deixares descoberta.

E então permearei por todos os teus poros, penetrarei escaldante teu corpo gota a gota, retorcendo-te, arrancando-te tudo o que já não será mais. Dissolverei-te em alma e restos.

Não guardes mágoa:
Guardes tua língua.
Sou água
Sou vida.

Apenas vida.

E tu que lês! Tens sede?

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(originalmente em http://clubeliterariodecachoeirinha.blogspot.com/2007/09/gua-por-diego-gf.html)