segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Água

É assim:
Outrora morna e límpida;
Hoje fervente.
Já deverias ter te acostumado com como as coisas são.

Pois te encontrarei: não adianta fugires.
Qualquer que seja o teu refúgio, quaisquer que sejam os obstáculos e quão elaborada for a fortaleza que construíres, nada te livrarás. Pois contornarei com leveza cada mínima fresta estreita que deixares descoberta.

E então permearei por todos os teus poros, penetrarei escaldante teu corpo gota a gota, retorcendo-te, arrancando-te tudo o que já não será mais. Dissolverei-te em alma e restos.

Não guardes mágoa:
Guardes tua língua.
Sou água
Sou vida.

Apenas vida.

E tu que lês! Tens sede?

================================================
(originalmente em http://clubeliterariodecachoeirinha.blogspot.com/2007/09/gua-por-diego-gf.html)

Nenhum comentário: