sábado, 14 de julho de 2012
O que não é meu
na multidão,
no anúncio da tv,
no calçada da minha rua,
percebo sorrisos que não são os meus.
em ensaio,
(na volúpia trazida da certeza da morte)
verifico se consigo fazer o mesmo.
não.
sorriso de espanto,
sorriso de medo
sorriso de enfado.
sorriso
sorriso
sorriso.
quantos sorrisos de quanta gente não são os meus?
se escondo meus dentes na mais aguda euforia...
defendo-me do quê?
por detrás da tela luminosa
observo a desenvoltura das gentes.
não é a minha.
examino a sociabilidade.
o tempo percorrido de forma leve
a sábia - pois não objeto de reflexão - aceitação da rotina,
das responsabilidades, do ir adiante.
do sorriso pronto.
não são minhas estas habilidades.
examino os gestos dos que tomam iniciativa.
os admiro
(ou os invejo?)
na tv, um qualquer filme passa
vida de excessos é vida bem vivida - apreendo em erro.
não é a minha.
Qual é a minha?
(Qual é a tua, você, o espelho? Imagem patética!)
Todos têm as suas drogas;
refugio-me nas minhas:
Encho
o copo,
o prato,
a borracha.
mas
vazio
eu
Marcadores:
Verso
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário