sexta-feira, 7 de março de 2014

Estava eu... pollockiando


Vê este espaço em branco isolado aqui no canto...
Vai sendo engolido, perdendo sua pureza no amarelo... E as outras cores vão tomando conta do resto da tela...

O fundo é mesmo um céu azul bem chavão: celeste, claro, muitas nuvens bem delineadas, quase infantilmente pintadas. Mas as nuvens não são tão brancas. Misturo com um pingo de preto. Só um pingo é o bastante.

O que está em cima é o que importa: o vermelho cuspido, o azul-escuro derramado direto da lata, o preto manchando todos os cantos... Quase todos. Pincéis? Não.

Ora, não me venha com suas ideias preconcebidas de como as coisas deveriam ser... Isso pode ser um monte de borrões incompreensíveis pra você mas pra mim faz sentido.

É como eu faço.

Olhe essa outra tela. Sim: tinta preta em todos os cantos. Todos.
Como não faz sentido? Passe a mão por sobre a tela. São diferentes tipos de tinta, pois sinta, formando um relevo, um relevo do que está por trás disto, o que ficou encoberto, o que não importa mais, o que foi esquecido por algum momento e assim ficou.

É como eu sei fazer.

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(originalmente em Estava Eu)

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