Perdido em terra mas à procura de uma iluminação celestial, o homem seguia a jornada solitária por entre a cadeia de montanhas verdes.
Corria o 13° dia de caminhada, e o jejum já não era um voluntário sacrifício em honra aos Céus, mas uma imposição das circunstâncias, já que as parcas provisões levadas rareavam.
Foi quando o viajante avistou de longe, sentado na margem direita de uma das centenas de montanhas daquela região desconhecida, um homem de túnica.
À medida que ia se aproximando do incógnito homem, o viajante configurava com base no que via a imagem de um senhor idoso, cabelos longos, presumidamente solitário. Mais alguns metros percorridos, sem hesitação ou temor, e se dava conta também de que o velho homem não parecia demonstrar surpresa ou receio pelo aparecimento de outro ser por ali.
Agora com cuidado, o explorador se aproxima do senhor, notando sua veste celestialmente clara, barba branca volumosa, olhar que transmitia serenidade e, como se ao estereótipo dos sábios da ficção se assemelhasse, uma aura de sabedoria estampada em um sorriso cansado mas amigável.
Não pôs-se o jovem explorador, quando enfim ficou logo à frente do sábio (para si a adjetivação tornou-se evidente), a apresentar-se ou a gastar frases mais propícias a uma ocasião como essas. Preferiu perguntá-lo de pronto sobre o real motivo e inquietação que lhe motivou a largar trabalho, família e amigos, e viajar por terras incertas.
- Senhor... Receio que lhe perguntar o sentido da vida não me trará necessariamente conforto... Peço-lhe, então, que me diga: que postura devo eu guardar em minha vida para enfrentar tanta tristeza, tanta tragédia, tanta maldade e tanto pesar?
O senhor de sábias rugas mirava um ponto distante à direita do viajante, mas logo voltou seu olhar ao homem aflito, formando em si um sorriso terno, e esticando o braço até repousar sua mão cansada no ombro do visitante em tom paternal.
- Leve esta mensagem com você para toda a vida: "A vida é uma merda. Deus é um filho da puta. Mas eu não vou deixar que nada disso estrague o dia de hoje."
E o velho homem saiu caminhando, descendo a montanha a passos calmos, até sua figura desaparecer dentro de uma neblina de existência incompreensível para aquela tarde de sol.
Corria o 13° dia de caminhada, e o jejum já não era um voluntário sacrifício em honra aos Céus, mas uma imposição das circunstâncias, já que as parcas provisões levadas rareavam.
Foi quando o viajante avistou de longe, sentado na margem direita de uma das centenas de montanhas daquela região desconhecida, um homem de túnica.
À medida que ia se aproximando do incógnito homem, o viajante configurava com base no que via a imagem de um senhor idoso, cabelos longos, presumidamente solitário. Mais alguns metros percorridos, sem hesitação ou temor, e se dava conta também de que o velho homem não parecia demonstrar surpresa ou receio pelo aparecimento de outro ser por ali.
Agora com cuidado, o explorador se aproxima do senhor, notando sua veste celestialmente clara, barba branca volumosa, olhar que transmitia serenidade e, como se ao estereótipo dos sábios da ficção se assemelhasse, uma aura de sabedoria estampada em um sorriso cansado mas amigável.
Não pôs-se o jovem explorador, quando enfim ficou logo à frente do sábio (para si a adjetivação tornou-se evidente), a apresentar-se ou a gastar frases mais propícias a uma ocasião como essas. Preferiu perguntá-lo de pronto sobre o real motivo e inquietação que lhe motivou a largar trabalho, família e amigos, e viajar por terras incertas.
- Senhor... Receio que lhe perguntar o sentido da vida não me trará necessariamente conforto... Peço-lhe, então, que me diga: que postura devo eu guardar em minha vida para enfrentar tanta tristeza, tanta tragédia, tanta maldade e tanto pesar?
O senhor de sábias rugas mirava um ponto distante à direita do viajante, mas logo voltou seu olhar ao homem aflito, formando em si um sorriso terno, e esticando o braço até repousar sua mão cansada no ombro do visitante em tom paternal.
- Leve esta mensagem com você para toda a vida: "A vida é uma merda. Deus é um filho da puta. Mas eu não vou deixar que nada disso estrague o dia de hoje."
E o velho homem saiu caminhando, descendo a montanha a passos calmos, até sua figura desaparecer dentro de uma neblina de existência incompreensível para aquela tarde de sol.
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