sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Versículo apócrifo do dia



"Não sejais o tolo estepe dos que temem ficar ajorjadinhos. 
Sois mais valorosos que isso, posto que os que vos exploram de tal forma não amam a ninguém, senão a si mesmos.” 

(Dieguegeefias, 13:08)

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(no terceiro dia [porra, até que enfim!], quebrou o frasco. E ressuscitou.) 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Viver é uma dádiva.





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Viver é uma dádiva. 
Por isso, agradeça cada minuto! :)))

São poucos e simples os
ingredientes para a felicidade:

faça o que não quer fazer;
coma o que não quer comer;
aceite o que não quer aceitar;
sinta o que não quer sentir.

{o avesso é >
imoral,
inconveniente,
inadequado,
irresponsável,
inútil: impossível;

com onerosa resposta
de outrem,
do corpo,
da natureza,
de divindades [inventadas (ou não)]}

Chafurde,
ore,
dance,
vomite,
lamba,
inspire.

Esqueça-se!

Controle-se.

Controle-se.



Controle-se.
De novo.

E seja feliz,
meu irmão celestial.

Como não sê-lo? :)
---

Clório Mãnfro Bêbido.

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(originalmente nos "Facebook da vida")




quarta-feira, 5 de setembro de 2012

mente mente


E volta:

DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
DESISTA!
RESISTA!
Resista.

Resista.




Insista.

Insista!








(- Mas... no quê?
- Mente à mente.)




E volta.

sábado, 11 de agosto de 2012

Chute


Detestava estudar:
Mal ia à escola.
Chutou no vestibular,
Agora chuta uma bola.



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(originalmente em Concurso de Trovas EdiPUC 2011 - contagem de sílabas poéticas fail)

sábado, 14 de julho de 2012

O que não é meu


na multidão,
no anúncio da tv,
no calçada da minha rua,
percebo sorrisos que não são os meus.

em ensaio,
(na volúpia trazida da certeza da morte)
verifico se consigo fazer o mesmo.

não.

sorriso de espanto,
sorriso de medo
sorriso de enfado.
sorriso
sorriso
sorriso.

quantos sorrisos de quanta gente não são os meus?

se escondo meus dentes na mais aguda euforia...
defendo-me do quê?

por detrás da tela luminosa
observo a desenvoltura das gentes.
não é a minha.

examino a sociabilidade.
o tempo percorrido de forma leve
a sábia - pois não objeto de reflexão - aceitação da rotina,
das responsabilidades, do ir adiante.
do sorriso pronto.

não são minhas estas habilidades.

examino os gestos dos que tomam iniciativa.
os admiro
(ou os invejo?)

na tv, um qualquer filme passa
vida de excessos é vida bem vivida - apreendo em erro.

não é a minha.

Qual é a minha?
(Qual é a tua, você, o espelho? Imagem patética!)

Todos têm as suas drogas;
refugio-me nas minhas:

Encho
o copo,
o prato,
a borracha.


mas




vazio














eu

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A Pedra

Ainda fraco, o homem começava a se reerguer. Olhos voltados para o chão. Seus ouvidos zuniam em atordoamento. Tonto com a pancada, sua visão embaralhada começava a identificar aos poucos uma pequena poça de sangue que se formava no piso de madeira de seu barco. Pouco mais à frente, enxergou uma pedra, de cerca de oito centímetros de diâmetro. Era a pedra que havia sido atirada e lhe atingira com gravidade a parte esquerda da testa. A embarcação seguia em movimento. De súbito, o homem pegou o pedaço de basalto e fez menção de retribuir o ferimento ao agressor, mas estava sozinho no barco. Por todos os lados enxergava apenas mar, além de alguma neblina em certa distância à frente de onde estava.

Se por este breve intervalo de tempo as ações foram governadas em muito pelos impulsos e instintos do cambaleante tripulante solitário, quando o homem pôde utilizar-se da racionalidade para tentar compreender a situação, encontrou mais dúvidas que entendimento. Não via explicações sobre de onde poderia ter vindo aquela pedra. Consternado, tampouco lembrava ele como viera parar ali naquela parte desconhecida do oceano. Não recordava ter partido de parte alguma, nem planejado ir à parte nenhuma. Faltava-lhe até mesmo a lembrança de ter percorrido o percurso até o local onde se encontrava. Lembrava apenas, mas de forma confusa... de um canto. Talvez de uma mulher. Talvez de uma divindade. Não sabia bem. O zunido irritante ainda lhe perturbava a cabeça, resultado do forte impacto da pedra, que nesse momento ainda estava em suas mãos.

Sem muito compreender sobre a situação em que se encontrava o homem logo teve que abortar sua perplexidade reflexiva quando, por detrás da neblina, viu aos poucos ser revelado um grande rochedo, para onde o barco velejava em grande velocidade rumo à colisão. Com bastante esforço, visto que debilitado, o homem correu o mais rápido que pôde ao timão para, com habilidade e perícia, desviar-se das rochas e do desaparecimento no mar. Quando ainda buscava a estabilização do barco e um novo e livre horizonte, notou perto do rochedo a presença de uma mulher. Uma bela mulher. Com alguma descrença, notou que ao invés de pernas ela possuía uma cauda. Era metade humana, metade peixe; metade razão, metade instinto; metade verdade, metade mentira. Pisinoe - esse era o nome da sereia - cantava, tentando voltar a atrair o homem para a ruína rumo às rochas, mas o pedaço de pedra que o atingira, pelo atordoamento que causara, havia lhe libertado do domínio da controladora de mentes, livrando-o de terrível destino. A sereia então pareceu resignar-se e mergulhou em retirada, disposta a procurar outro a quem enfeitiçar e conduzir ao naufrágio.

Já distante do rochedo, quando se sentiu livre da ameaça de Pisinoe, o navegante solitário percebeu-se perdido naquelas águas por ele nunca antes navegadas. Não possuía referência alguma de localização, o que lhe trouxe mais um grande desafio: o que fazer? Para onde seguir?

Demorou, mas depois de algum tempo, vencendo mares revoltos, tempestades e as incertezas sobre seu futuro, encontrou finalmente a costa e pôde ir para casa.

De tal aventura restou como herança uma grande cicatriz na cabeça, fruto da pedra atirada, cuja origem até hoje ele desconhece. É justamente à pedra, porém, que ele credita com razão sua salvação, pois só assim pôde desprender-se do hipnotizante e traiçoeiro, belo e dissimulado encanto da sereia Pisinoe.

A pedra lhe feriu para libertá-lo.

E à pedra chamaremos Bladenhous.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Quando acordar é bom

Chove.

É noite.

Pais não estão presentes e, lembre-se com terna ira, se meu filho nem nasceu, eu ainda sou o filho. (Porque me convém, né, bem?!)

Há alguns velhos amigos por ali. A visão é meio turva - confio no desapreço geral de quem lê em relação à passagens minuciosamente descritivas para não me lamentar por isso.

Há alguns novos amigos por ali. E por isso também há a instintiva necessidade de se parecer legal, de passar uma boa impressão. De ser aceito. Somos jovens. Todos entre 15 e 40 anos.

Tenho um guarda-chuva. O espaço abaixo da marquise não é suficiente para abrigar as cinco ou seis pessoas que ali estão se protegendo da chuva fria.

- Vamos para o outro lado!

Ofereço carona a alguém que não tenha guarda-chuva. Algum novo amigo aceita. (Aceita-me também como amigo?)

- Cuidado a poça, cara!

Todos molha.

Mas chegamos ao outro lado. E estar do outro lado significa estar agora à frente do que parece ser uma loja com uma das portas de metal entreaberta, deixando escapar alguma luz que vem de dentro. Estará funcionando a esta hora? Devemos entrar?

Entramos. E confirmamos: está aberta e bem iluminada. Estranhamos: não parece haver ninguém.

São cerca de trinta segundos gastos até três de nossos sentidos nos darem conta da peculiar situação: estamos sobre um piso formado de centenas de caixas de frágil e fino cristal, uma ao lado da outra, guardando dentro de cada uma coloridas bonecas de pano. A cada passo que damos, quebramos uma das caixas, tornando o encontro entre pés, cacos e o relevo acidentado formado por bonecas um evento desagradável a todas as partes. Mas, (e eu curto usar "mas" em início de frase) duas conclusões: estamos quebrando os produtos à venda naquela loja; nem por isso paramos de andar (e quebrar) pela loja.

Alguns dos neurônios dos presentes (mas quantos eram?, cinco ou seis?, e quem eram?, qual a importância deles na história?, você leitor quer saber, não é?, afinal largou por alguns minutos jpegs engraçados pra ver letrinha!), pois eu ia dizendo antes de me entregar ao prolixismo que alguns dos neurônios dos presentes finalmente copularam e a primeira hipótese formulada para justificar aquilo tudo já acertou na mosca: a peça da loja estava virada, como se fora girada noventa graus. Daí o fato de, à frente, onde teríamos uma parede, localizarem-se mesas, cadeiras, tapetes, "piso", e tudo o mais que costumeiramente compõe e significa chão.

Tempo para elucubrações ou análises sobre as escolas arquitetônicas contemporâneas foram logo sufocadas já que, em seguida, apareceu um menino gordinho. Corrijo: um menino obeso. Devia ter perto de dez anos de idade, vestia camiseta de listras horizontais (quanto desprendimento!) e tinha cabelo raspado. Apareceu sorridente, de um ponto onde o "piso" não consistia mais em caixas de cristal, mas parede branca.

Por meio de um esforço hercúleo, ondas sonoras percorreram a boca do menino driblando dentes, pedaços de bolacha, língua, saliva, e saem, se não incólumes, ainda em uma forma reconhecível da frase "Venham! Você querem chocolate?"

De que vale a busca de um sentido para tudo aquilo se podíamos comer chocolate? O menino serve a todos, mas continua mastigando sua bolacha recheada integral.

Aparece então a mãe do garoto, a quem logo identificamos como a dona da loja. Fosse ela Helena Bonham Carter esperaríamos, por consequência, a aparição de Johnny Depp e, ok!, é apenas um filme de Tim Burton! Mas ela era bem mais bonita que a atriz; e persistia bela mesmo quando comentou, em modo mal sucedidamente discreto, logo após um protocolar "boa noite", que "vejo que ainda não compraram nada... e ainda quebraram tudo..."

O garoto dá de ombros e continua a adular seus novos amigos:

- Vocês gostam muito de chocolate?

Sou o que primeiro devora por inteiro a deliciosa barra preta e se vê em condições de responder alguma coisa:

- Cara, chocolate é a melhor coisa do mundo. Gosto demais... E tu, não vai comer?

Em sorriso debochado, o garoto responde:

- Melhor não.

A visão de todos começa a ficar embaralhada. A percepção era de que tudo girava de forma caótica, e o efeito visual alucinógeno causado pelo chocolatinho do Diabo só tinha como trilha sonora as gargalhadas de mãe e filho. Pedir socorro, só aumentava a schadenfreude dos anfitriões.







INTERMISSION

















Estou preso. Estou preso em algum lugar. Não consigo me mexer. Não gosto de não conseguir me mexer. Não consigo identificar o que poderia estar me prendendo por que também minha cabeça e meus olhos não se mexem. Estou totalmente imóvel e meu campo de visão capta apenas o que está logo à frente. São apenas borrões, nota-se algum movimento. Também ouço alguns ruídos, mas estes são abafados e não explicam as imagens distorcidas pelo embaçamento, resultado de minha respiração. Difícil deduzir o que ou quem vejo por detrás daquela lâmina de vidro.